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AUTOBIOGRAFIA


 

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Nascido em Itabaiana (PB), em 13 de julho de 1966, pronto, ainda com 6 anos de idade, teve que deixar sua terra natal, acompanhando seus pais em uma aventura de sobrevivência, indo morar no Rio de Janeiro. Naquele contexto, na Escola Estadual Mentor Couto, no Jardim Califórnia (São Gonçalo), aprendeu a ler e escrever, graças a persistência de uma amável professora, apenas recordada com o nome de Leila. Certamente foi a primeira a acreditar em seu potencial e, quiçá, a responsável por seguir adiante. Contudo, não teve jamais a chance de dizer-lhe isso pessoalmente, embora sua gratidão será eterna.

O sonho nordestino induziu seus pais ao caminho de volta à Paraíba, desta feita passando a residir em João Pessoa. Então tinha 11 anos de idade quando passou a experimentar os desafios de uma vida em bairro pobre da periferia (Mandacaru), realizando seus estudos ginasiais no Colégio Estadual Santa Júlia, no bairro da Torre, distante cerca de cinco quilômetros de sua casa, trajeto diariamente percorrido a pé. Mas, sempre bem acompanhado por amigos de infância, a exemplo de Mozart. Naquele contexto, raros eram os que colocavam alguma esperança de que um menino sonhador, desejoso em ser jogador de futebol e pouco interessado nos estudos, daria realmente para algo.

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O tempo de moleque, isto é, dos 12 aos 17 anos, não fazia imaginar qualquer destino meritório. Comum era ouvir mães zelosas reclamarem de sua má companhia para seus filhos, e ainda outras, mais beatas e puras, cobrarem de sua mãe ação mais enérgica para um moleque que brigava todo dia; claro, nem sempre vencia, mas foi aprendendo a levantar a cabeça e encontrar a forma de resistir às adversidades. Porém, paralelamente, as molecagens comumente davam lugar ao trabalho, que principiava cedo, sobretudo aos sábados, quando precisava despertar às 4 horas da manhã para acompanhar seus pais em uma barraca de feira, no Mercado Bairro dos Estados.

O ensino médio foi cursado na Escola Estadual Matheus Augusto de Oliveira (CEBE). Na ocasião, já quase um homem com 14 anos, precisou estudar à noite para seguir ajudando seus pais. Entre suas múltiplas funções, não é possível esquecer as de empacotador de açúcar, carregador de saco de farinha (na cabeça) e peneirador de feijão. Quando o comércio não ia muito bem (leia-se, movimento fraco), costumava inventar alguma atividade para, ele mesmo, obter dinheiro para suas farras de finais de semana, quando tinha a chance de comer um cachorro-quente com suco de uva (preparado de envelope) em garrafa de grapette. Na ocasião, vendia cebola e sal no meio da feira, além de dedicar algum tempo ao ofício de carregador de feira em carro de mão; nos dias de finados e naqueles que seguiam, também vendia velas e recolhia parafina nos cemitérios.

Com 18 anos os estudos concorriam com o trabalho na feira e, prematuramente, com aquele de funcionário da Prefeitura Municipal de João Pessoa, na condição de fiscal de ônibus (a empresa foi mudando de nome: AGLURB, NTP, STP, STTRANS, SEMOB). Ainda nesta época ingressou como estudante na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tendo escolhido a Psicologia. Esta não foi uma decisão certa, mas acertada. Previamente seu pai (João Veloso Gouveia), com 37 anos de idade, decidiu estudar e ingressou para o curso de Administração de Empresas, nesta mesma Universidade. Na ocasião, enquanto seu pai estudava Introdução à Psicologia, teve a oportunidade de ler seu livro e se interessar por algo que era distante mas despertava sua curiosidade: conhecer. Fazer pesquisa, conhecer o comportamento humano, poder entendê-lo, explicá-lo e, acima de tudo, imaginar que seria possível predizê-lo.

Concluída a Graduação em Psicologia, seguiu para a Universidade de Brasília (UnB). Contando com a benevolência de uma amiga (Clotilde) que conseguiu passagens de ida e volta (Itapemirim) para realizar a seleção daquele curso, seguiu com alguns trocados no bolso, uma bolsa de pão de cachorro-quente, três latas de ervilha e três de salsicha. Logrou aprovação, mas, melhor que tudo, o apoio de pessoas generosas (Prof. Dr. Hartmut Gunther, Profa. Dra. Isolda de Araújo Gunther e Prof. Dr. Luiz Pasquali); o Prof. Dr. Hartmut Gunther também veio a ser seu orientador de Mestrado e hoje é um amigo a quem muito considera e agradece por tudo.

As vivências na UnB, sobretudo no Laboratório de Avaliação e Medida (LabPAM), do Prof. Luiz Pasquali, trouxe-lhe o interesse por Psicometria, quando realizou uma Especialização na área e, desde então, tem procurado contribuir. Porém, não tinha propósito de ficar em Brasília e logo procurou concurso na UFPB, tendo sido aprovado e contratato, em 1992, então com 25 anos de idade, para a área de Psicologia Experimental. A polêmica algumas vezes o acompanhou e, quando perguntado sobre o resultado do concurso, indicou ser injusto, pois existiam pessoas mais qualificadas que ele para ocupar a vaga. Porém, não recuou e seguiu contribuindo até 1994, quando foi para Espanha realizar Doutorado em Psicologia Social.

Na Universidade Complutense de Madri conheceu pessoas inesquecíveis. Fez grandes amizades dentro e fora do contexto acadêmico, contribuindo com profissionais importantes daquele país, a exemplo de José María Prieto, María Ros García e Miguel Clemente, este último seu orientador de Doutorado. Teve também a felicidade de receber o I Prêmio de Investigação Concepção Arenal de Humanidades, outorgado pela Prefeitura de Ferrol e a Universidade de La Coruña. Também aproveitou para publicar alguns livros e artigos durante sua estada em terras espanholas.

De volta para o Brasil, em 1998, reingressou como professor de pós-graduação. Soa estranho, mas de 1992 a 1994, ainda Mestre e pouco mais que um moleque, lecionou no Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal da Paraíba, quando deu aulas de métodos de pesquisa e técnicas estatísticas. Porém, anos depois quando regressou, além destas áreas, contribuiu também com a Avaliação Psicológica e a Psicologia Social. Até o presente, foram dezenas de disciplinas lecionadas, orientações de Mestrado e Doutorado, artigos científicos, capítulos de livro e livros. Em 2012 sua trajetória foi coroada com a aprovação em concurso público para Professor Titular em Psicologia Social. Primeiro professor a obter este êxito no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, também teve o mérito de ser conduzido à categoria de Pesquisador 1A do CNPq, posição de destaque que conta com menos de dez pesquisadores no Estado, incluindo todas as Universidades e áreas de estudo.

Talvez alguns imaginem que tudo foi por ele alcançado. Certamente foi bem mais do que esperavam e ele mesmo poderia imaginar, considerando sua infância pobre, escassas oportunidades de aprendizado e excesso de trabalho. Porém, teve a felicidade de contar com orientação firme e determinada dos pais, além de ser levado a lidar com os desafios. Precisamente por isso, há dois anos resolveu recomeçar, quem sabe construindo um novo caminho, abraçando com muito prazer um novo curso de graduação: Direito. Isso mesmo! Estudante, uma vez mais, dedicado e desejoso de aprender, enfrentando talvez o maior de seus desafios, que é mudar a forma de pensar e escrever, deparando-se com um mundo diferente.

Olhando para trás, certamente contribuiu com a Psicologia brasileira, pois foram muitos artigos publicados com seus colegas, alguns disponibilizando instrumentos que seguem sendo muito usados, a exemplo do Inventário de Depressão Infantil e Questionário de Saúde Geral. Possivelmente, ter pensado e proposto a teoria funcionalista dos valores humanos, objeto hoje de dissertações e teses em diversas universidades no Brasil e no exterior, foi um grande feito para quem outrora apenas tinha a luz das velas que vendia nos cemitérios. Porém, a maior contribuição foi ter construído um grupo (BNCS - Bases Normativas do Comportamento Social) que não se restringe à pesquisa; representa a própria extensão da forma como pensa que devem ser a vida e as relações interpessoais, primando pela amizade, o companheirismo, o trabalho, o respeito e, acima de tudo, a gratidão. A todos, ele não poderia deixar de expressar: Muito obrigado!

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